aforismos e afins

04 junho 2005

A natureza de [T.M.]

[Eu] que até gosto de mulheres.
Que por acaso ou sem ser por acaso realmente gosto de mulheres.
Que só procuro mulheres sensíveis, intuitivas e inteligentes. Sublimamente, conscientemente, inteiramente.
Que me encanto com mulheres que igualmente procuram homens distintamente sensíveis, intuitivos e inteligentes.
Que não suporto mulheres que não sabem do que gostam.
Que adoro mulheres que me façam rir, e que eu as faça rir.

[Eu] que descubro quase de repente como deliro com mulheres que adoram homens que gostem realmente de mulheres.
Que sonho com mulheres da escrita, da dança, da música, com mulheres artistas, e então na arte de ser mulher.
Que afrouxo com mulheres que insistentemente teimam em afirmar que os advérbios de modo são completamente banais e dispensáveis.
Que só quero quem também goste de brincar, e seduzir, e provocar.

[Eu] que sou tanto quanto aqui cabe, cabe-me a mim perguntar:
Que farei quando afinal nem tudo arde?
Sim, porque quando tudo arde é fácil. Fica-se a olhar, quem sabe a lamentar, ou talvez aceitar. Não se sofre de ter de escolher.
Mas quando nem tudo arde, e há vontade, é preciso coragem para atravessar o calor, coragem para desbravar o vermelho do mato. Para depois encontrar a tal clareira, ajoelhar, e então colher uma flor.

8 Comments:

  • Caro T.M., já agora recordo um aforismo que publiquei aqui, de Kierkegaard.

    "To dare is to loose one's footing momentarily. Not to dare is to lose oneself."

    A coragem de arriscar o desconhecido para ir mais além e no fundo se conhecer a si próprio, ou a pacatez de ficar a boiar e ver os navios passar.

    By Blogger K., at 2:20 da tarde  

  • O amor para com os homens é possível, para dizer a verdade, mas não pode ser comandado, pois não está ao alcance de nenhum homem amar alguém simplesmente por ordem.

    sem mais racionalizações.

    By Anonymous Castorp, at 4:06 da tarde  

  • Caro K., obrigado pelo revisitamento, parece-me apropriado de facto...

    Caro Castorf: concordo consigo mas não penso que concorde que possa discordar comigo. Eu não sugeri um amor comandado, e também não acho que se possa amar por ordem, ainda que seja verdade que algum (tipo de) amor de pode tornar "inevitavél" com uma certa convivência. A qual pode vir duma "ordem", e estou, claro, a pensar nos casamentos por arranjo, na Índia ou nas Arábias.

    Também não me parece que o facto de o amor não ser comandado não permita que ele seja racionalizado. Sobretudo quando o não estamos a viver. Depois quando ele vem, aí o tempo pára, e só escrevemos «bobagem».

    By Blogger T. M., at 5:08 da tarde  

  • A tua natureza é perfeita!

    By Blogger Isabela, at 8:38 da tarde  

  • Companheiro,

    Nao sei se o que escreveste foi o que eu li, mas como o percebi.. adorei.

    Monti.

    By Anonymous Anónimo, at 8:50 da manhã  

  • Meu caro Monti,

    Quem se questiona assim é sempre porque está mais perto da verdade, porque ela também não é unica mas feita à medida de cada um...

    É bom saber que andas por aí. Abraço.

    By Blogger T. M., at 10:24 da manhã  

  • Ás vezes, saem-nos assim coisas de dentro.
    Deixá-las sair, é partilhá-las.
    É ir revelando-as.
    Bonito. Mesmo. Embora aqui esteja apenas, um pouco do muito que és.

    By Blogger marta, at 10:38 da manhã  

  • Que boa surpresa ler este texto, perdido no meio dos arquivos.
    Devias escrever mais disto, e deixar as coisas que os outros dizem...
    o que escreves é lindo.

    By Blogger Gonzo, at 11:44 da tarde  

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