aforismos e afins

04 dezembro 2005

Retrato de uma (?) mulher aos 26 anos

«O que odeio em mim: a dependência afectiva; a minha inconsistência como pessoa; o ser fraca, instável, imatura, insegura; o não poder estar sozinha; o desespero imediato; (...);
o ser, como as crianças, egocêntrica, que não é o mesmo de ser egoísta; falta de intuição; pouca assimilação do que leio.»

[Maria Filomena Mónica, Bilhete de Identidade, tirado aqui]

10 Comments:

  • Tiago

    Já viste o que o João Pedro George (Esplanar) escreveu sobre a autobiografia? Vale a pena. Bem, agora vou ali escrever um essay...

    Ivo

    By Anonymous Ilv, at 3:34 da manhã  

  • Li tudo, caríssimo... optei por (ainda) não linkar, mas vou pensar nisso. Parece-me mui´to bem fundamentado.

    By Blogger Tiago Mendes, at 9:08 da manhã  

  • Pois eu acho muito mal fundamentado. Um texto, ou um livro, tem de valer pelo que la' esta' escrito e nao pelo o autor que tem. Grande parte das criticas que sao feitas no "esplanar" nao seriam validas se fosse o autor do livro nao fosse a MFM, pelo que, na minha opiniao as criticas nao sao validas.

    A critica tambem parte de um pressuposto com que nao concordo, e penso ate que raia o absurdo, quando diz que, se nao for pelo valor literario, para que uma autobiografia seja interessante o autor tem de ter tido uma vida excepcional. Penso o contrario. As vidas excepcionais ja estao relatadas. As vidas banais e' que sao um "case study" interessante.

    Essa critica do esplanar teve um merito. Fez-me correr a ir comprar o livro.

    By Anonymous LA-C, at 11:56 da manhã  

  • "Um texto, ou um livro, tem de valer pelo que la' esta' escrito e nao pelo o autor que tem. Grande parte das criticas que sao feitas no "esplanar" nao seriam validas se fosse o autor do livro nao fosse a MFM, pelo que, na minha opiniao as criticas nao sao validas."

    Concordo totalmente com o LA-C. Pensei o mesmo quando li a critica mas tive preguica de escrever. :)

    By Blogger André Azevedo Alves, at 1:51 da tarde  

  • Caro LA-C: acho que sim, tens razão. Confesso que não li o livro nem faço tenções de ler, porque de qualquer modo não tenho paciência para literatura de cordel (isto é, para "vidas banais", que não acho muito interessantes, mas isso são gostos), até porque o tempo é escasso e outros livros se prioritizam.

    Mas acho que fazes um ponto bom relativamente à demasiada importância que se dá ao autor - que cria uma "expectativa" relativamente à qualidade/profundidade da obra - e também quanto ao interesse que uma vida banal pode ter. Como digo, isso não me interessa, mas percebo o ponto.

    A única coisa que diria em defesa da crítica no Esplanar é que os arguemntos apresentados estão de facto "bem fundamentados". Acontece é que os "priors" - isto é, as premissas, ou valores - são diferentes para o crítico e para ti e para o André. Eu revejo-me mais na atitude do JPH e achei as passagens que ele transcreve reveladoras duma espécie de normalidade/futilidade que não me atrai muito. Sem ofensa, claro. São apenas "gostos".

    PS: de qualquer modo, nunca li qualquer biografia de ninguém. Prefiro ler o autor de forma indirecta através de outros escritos. Prefiro os clássicos - nisso sou tremendamente conservador.

    By Blogger Tiago Mendes, at 2:21 da tarde  

  • Meu caro Tiago
    Nestas autobiografias aprende-se muito, especialmente quem nao e' historiador, sobre uma epoca.
    Fiquei a saber que na certidao de nascimento, no inicio do seculo, constava a profissao dos pais. O mais incrivel era que isso era tao importante que por ordem de um tribunal foi ordenada a alteracao da profissao do pai (ja mais de 10 anos depois da primeira emissao da certidao).
    Isto e' apenas um pequeno exemplo daquilo que se aprende a ler estes registos de vidas banais. E, naturalmente, para isto e' irrelevante se a sra e' uma academica prestigiada ou nao.
    Mas claro, tambem percebo o que dizes, e, tal como tu, tambem tenho mais tendencia para ler os classicos, ou apenas livros recomendados por pessoas que considero acima de qualquer suspeita.

    By Anonymous la-c, at 3:16 da tarde  

  • "Nestas autobiografias aprende-se muito, especialmente quem nao e' historiador, sobre uma epoca."

    Imaginaria que sim, mas agradeço de qualquer modo a nota de "inside information", meu caro :)

    By Blogger Tiago Mendes, at 3:23 da tarde  

  • :)

    LA-C

    By Anonymous Anónimo, at 3:35 da tarde  

  • De qualquer modo, o que me interessava era a "ideia" e não o "sujeito" (ou a "sujeita", neste caso). Só pus a autora por questão de citação, mas o que queria mesmo era provocar um pouco as (eventuais) hostes femininas.

    Ora isto não resultou, e o falhanço completo tem que ser assumido. Bolas! :)

    By Blogger Tiago Mendes, at 5:53 da tarde  

  • Nunca mais oucas o que te digo!!!
    Afinal ja fui uma delas: "...falta de intuicao..."

    By Anonymous AS, at 7:26 da tarde  

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