aforismos e afins

15 junho 2005

Sábado à noite

Meia-noite, saio de casa para me divertir. Perguntam-me, durante a noite…que tens? Sorrio, respondo que estou bem. (...) De repente apercebo-me que é a multidão que não está bem, está só, bebe para não sentir o fardo do tempo, dança para afastar a tristeza, disfarça a frustração num decote, encobre a infelicidade com teatrais exageros de alegria. A multidão esquece-se, ou finge que se esquece, do que deixou à porta. Chegará a casa, exausta do vazio de ser um passatempo dentro do tempo e das coisas que não viu e não sentiu. Parto. Deixo o bar vazio. Lá fora embriago-me da Lua, do Tejo, das estrelas e da luz da minha terra. Zonza de poesia, divirto-me, finalmente.

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