aforismos e afins

10 junho 2005

Dia de Camões (2)

«Porque amo tanto o meu país? Ele deu-me a língua, ou seja o mundo que ela me escolheu. Deu-me a terra e o mar e a montanha e tudo o que na paisagem o nos seres meus irmãos é na realidade da pessoa que sou, a identidade com que me reconheço. Deu-me pois a vida toda para eu depois a poder reinventar. Assim amo o meu país porque sou eu.» [Vergílio Ferreira, «Escrever», # 59, pg. 45]

2 Comments:

  • Virgílio será sempre uma reinvenção de si próprio. Mais do que isso, reinventa-nos a cada sua palavra. Não sei o que vos acontece quando o lêem, mas frequentemente dou comigo sorrindo, por tão nele me (re)encontrar. Como se fosse um irmão mais velho e sábio, onde sempre (re)encontro aconchego. Como me (re)encontro na terra, no mar, na montanha do meu país, onde vou (re)colhendo os pedaços que fazem de mim a pessoa que eu sou.

    By Blogger marta, at 7:53 da tarde  

  • Também sinto o mesmo, e aliás praticamente só leio para isso: encontrar outras vozes a falar por mim. Ler é descobrirmo-nos nas palavras alheias. Seja na esuridão de Dostoievsky, na ironia de Saramago ou na doçura do Mia Couto. Mas de facto o Vergílio Ferreira (a)parece muito como esse "irmão mais velho", concordo.

    By Blogger T. M., at 8:06 da tarde  

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