aforismos e afins

23 novembro 2005

25 de Novembro

Passados 30 anos, já era altura de se chegar a algum consenso mínimo sobre o 25 de Novembro. De concordar nalguma verdade histórica, sem atitudes demasido emotivas ou complexadas. Sugiro*: José Manuel Barroso, Rui Ramos, Vasco Graça Moura.

*também que dêem uma espreitadela aos comentários.

4 Comments:

  • Concordo. A História não se pode negar, nos seus lados bons e maus. Curioso foi, no 25 de Novembro, o Otelo, que tinha a capacidade de decisão de mandar avançar os paraquedistas, decide ausentar-se e ir para casa dormir. Há formas e formas de fazer história...

    Pedro Veiga

    By Blogger Hoka Hei, at 7:04 da tarde  

  • "Há formas e formas de fazer história..."

    Acho que é uma forma peculiarmente interessante de comentar o acontecimento, caro Pedro :)

    Custa sobretudo - e parece que isso está patente nesta campanha presidencial - que certa esquerda portuguesa ainda tenha uma dificuldade enorme com o 25 de Novembro.

    Mais custa ainda que certa direita tenha uma reacção extremada - e no mesmo "estilo - em relação a isso, em vez de reagir friamente e, diria mesmo, "pedagogicamente". Isto para não falar na forma como alguma direita vê o 25 de Abril.

    Enfim, em Portugal há reacções figadais para dar e vender... é só escolher o lado da barricada e entrar na farra.

    PS: obrigado pelo comentário e pela visita.

    By Blogger Tiago Mendes, at 7:08 da tarde  

  • Parece-me que os cronistas sugeridos são tudo menos complexados. E digo isto porque dá-me a ideia de que eles querem fazer do 25 de Novembro uma data mais (ou tão) importante como o 25 de Abril, quando sem 25 de Abril nunca se daria um 25 de Novembro.
    Estranho (ou não) é que aqueles que mais elogiam o 25 de Novembro são ou aqueles que na altura queriam instaurar um regime popular maoista, ou são aqueles que sempre sentiram um complexo ou mal-estar em festejar o 25 de Abril (o simples cravo na lapela é para estes alvo de rejeição), devido às suas ligações politicas com o regime anterior.
    Em linguagem freudiana diria que os primeiros estão a reviver o complexo de édipo, enquanto os segundos estão a reviver o complexo de castração. Isto é, os primeiros querem libertar-se das suas raízes ideológicas, enquanto os segundos têm medo de perder a sua identidade ideológica.

    By Anonymous Marco, at 7:36 da tarde  

  • Diria que sobretudo Vasco Graça Moura denota algum "complexo", sem dúvida.

    Rui Ramos, que tem escrito coisas excelentes, mas alguma delas quanto a mim demasiado eivadas de "emotismo" ou "frontismo anti-esquerda", julgo que tem aqui uma crónica bem equilibrada. Ainda que não refira o "papel" do 25 de Abril, mas acho que também temos que nos habituar a não impor a determinados escribas que façam sempre esse "disclaimer".

    José Manuel Barroso parece-me bastante isento no que diz.

    Acho as analogias psicológicas bastante certeiras e até deliciosas. Há uma dificuldade nos dois lado da barricada... élas, porque é uma barricada. Quem fala à esquerda sobre o 25 de Novembro, senão para acusar os "de direita", ou para "não fazer esquecer o 25 de Abril"?

    Claro que se deve dar precedência constitutiva ao 25 de Abril, porque sem ele não havia o 25 de Novembro. Uma questão de "precedência". Mas também atender - após reconhecer essa precedencia - aos perigos que se seguiram e à importância do 25 de Novembro.

    A omissão ou certo desprezo do 25 de Abril e o desalento e a raiva de outros perante o 25 de Novembro paraecem-me ambos condenáveis - na sua sunstãncia, porque não atendem à verdade histórica.

    TOrnam-se aidna mais detestáveis - ainda que "entendíveis" - quando percebemos que isso vem muito desses tais recalcamentos e acessos figadais.

    PS: obrigado pelo comentário e visita.

    By Blogger Tiago Mendes, at 7:55 da tarde  

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