aforismos e afins

11 janeiro 2006

O dever do próximo PR

Artigo de hoje no Diário Económico, também disponível aqui.
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Nota de esclarecimento: a expressão "direitos adquiridos" pode gerar alguma confusão. Ela refere-se aos (ditos) "direitos económicos" inscritos na nossa Constituição, e que são uma espécie de "estrela de Belém" para os peregrinos de quase toda a esquerda portuguesa. Não se refere - obviamente - a quaisquer direitos políticos. Também não se refere - isto será menos óbvio - aos "direitos contratuais" que os cidadãos adquirem sobre o estado através de acordos específicos que são estabelecidos entre as duas partes.
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Um excelente exemplo desses "direitos contratuais" - que deviam ser defendidos, no plano dos princípios, por qualquer liberal (sendo apenas marginal e ponderadamente negociáveis perante situações de crise absoluta, como é o caso do colapso da Segurança Social) - é o ponto 2. do post de Francisco Mendes da Silva n'O Acidental. Foi omitido por me ter parecido compreensível à luz do carácter "liberal" do artigo - e devido à restrição de espaço. Interpretação talvez um pouco excessiva. Fica então - and in advance - a clarificação.

9 Comments:

  • Muito bons os teus artigos no DE, os dos blogs estavam porreiros mas nos artigos estás como peixe dentro d'água...

    By Blogger Flags, at 11:42 da manhã  

  • Só não posso concordar com o teu esclarecimento relativo aos "direitos adquiridos", "que são uma espécie de "estrela de Belém" para os peregrinos de quase toda a esquerda portuguesa". Gostaria de ver esse esclarecimento adicional no DE itself...

    By Blogger Flags, at 12:39 da tarde  

  • Mas a ideia está lá, caro/a Flags:

    «É estranho que para muitos candidatos presidenciais isto seja tão incompreendido, passadas que estão quase duas décadas sobre 1989.»

    É só ler nas entrelinhas. O esclarecimento "adicional" repetiria a ideia e tiraria espaço a outros argumentos/esclarecimentos que eu julguei mais pertinentes/importantes. Mas isso - claro - é sempre subjectivo.

    Obrigado pelo comentário.

    By Blogger Tiago Mendes, at 12:58 da tarde  

  • "Sucede que a riqueza precisa de ser criada para poder ser redistribuída."

    O problema é que ela é criada - ou o Tiago acha que não?. E não é redistribuída com justiça.

    Acho que o Tiago é o primeiro que vejo a considerar a produção de riqueza como um dos chamados "direitos adquiridos".

    "...pergunta pelo que tu podes fazer por ti próprio"

    Parece-me que com esta ideia não haverá grande mudança de paradigma em Portugal: vai continuar a ser um país de xico-espertos, cada um a passar rasteiras ao próximo!

    By Anonymous oinsurgente, at 2:17 da tarde  

  • Excelente artigo Tiago. Devo dizer que foste bastante "leve" na explicação dos direitos adquiridos... Eu seria mais agressivo... :)

    Abraço

    By Blogger Bruno Gonçalves, at 7:40 da tarde  

  • (Welcome back)

    "a liberdade anda de mãos dadas com o risco – duas coisas que desagradam ao português que gosta do papel de “vítima” e que é tão avesso ao empreendorismo"

    Não entendo puto de economia, nada, mas julgo que a insistência numa relação directa e entre o trabalho e a respectiva recompensa tem sido tanto mais errada quanto mais se esperam resultados bojudos imediatos de qualquer iniciativa e de qualquer empreendimento, pessoal , empresarial, o que quer que seja. Somos uma gente habituada a reclamar lucros fáceis e rápidos, que desaparecem com a rapidez com que são gerados, porque o futuro que projectamos se nos deitamos ao trabalho é regra geral um futuro próximo, curtinho, egocêntrico e pautado a pensar no pior dos cenários possíveis e raramente no melhor. Em suma, um futuro à nossa imagem e sim, um futuro de xico-esperto. Há muitos, uns piores do que outros, mas para a maioria deles, esse tipo de atitude resulta num proveito que morre cedo. Depois, o Estado é uma máquina exausta de ineficácia e clientelismo que cada vez menos chega para as encomendas e que nunca se cumpre na promessa reformista . Queixamo-nos, temos espírito de sacrificados, mas nem sempre espírito de sacrifício, no bom sentido do termo. Julgo que "fazer alguma coisa por ti próprio" significa uma chamada de atenção para se sair dessa triste maioria e começar seriamente a fazer frente aos verdadeiros xicos-espertos em vez de os imitar, porque na verdade, nunca nos juntaremos a "eles" (não é para todos). Mas para isso é preciso vencer uma preguiça crónica (física e sobretudo mental) da qual o português é em geral uma infeliz caricatura, é preciso uma indepêndência que começa antes de mais na cabeça de cada um, e isso falta . Em tudo. Ficaremos desprotegidos... Mas não estamos já desprotegidos ??? A minha geração está ...

    By Blogger Ginja, at 10:59 da tarde  

  • Uffff!!! Finalmente é formalmente publicado e criticado (e num jornal de respeito), aquilo a que eu gosto de chamar de Lusitana Paixão (vulgo sentimento de vitimização do português Médio, ou criminalização do sucesso e riqueza legitimamente adquiridos). Gostei particularmente deste apelo ao português médio, o qual julgo ter sido extremamente mal interpretado pelos comentário que se seguiram. Eu posso ensinar em Oxford ou ter um posto de respeito numa Multinacional sem deixar de ser o Português médio. Se cheguei, onde cheguei foi graças ao meu esforço e dedicação (concerteza não foi o Pai-Estado que me ajudou), e essa história de que só as famílias ricas têm acesso à educação (Por amor de Deus!!!) já não é válida desde os anos 80. O operário e o agricultor (e tenho muito respeito por tão digno trabalho), já são, felizmente, uma minoria da população (não digo isto do alto do "palanque" do PC portátil, quem duvidar consulte as estatísticas o INE, é fácil pôr as coisas em causa mas por favor comprovem as afirmações). É preciso meter isto na cabeça de uma vez por todas: Não peçam ajuda, peçam que não vos atrapalhem, isso sim será uma grande ajuda. Agora, um à parte: De estratégias e definições (boas intenções) tá o "inferno cheio". o Problema não é a estratégia, mas sim a execução da mesma.

    By Anonymous Biafra, at 7:26 da tarde  

  • Caro Tiago,

    Li o teu comentário ao meu comentário no blogue do excelente RAF. Espero que possa haver outro encontro como o outro numa altura melhor para mim. Talvez lá para Março ou Abril...entretanto, espero também que regresses ao blogue quando tiveres mais tempo. Fazes falta à blogosfera. Um abraço.:)

    By Anonymous José Barros, at 12:50 da manhã  

  • Obrigado, caro José. Quanto ao encontro, será um grande prazer e temos que ver isso [i.e., direi qualquer coisa quando se proporcionar]. Quanto à pausa... a sabática ainda agora começou...

    Mas agradeço as tuas palavras.

    Um abraço,

    By Blogger Tiago Mendes, at 1:09 da manhã  

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