aforismos e afins

20 novembro 2005

Liberalismo(s) 2

Subscrevo integralmente Pedro Mexia: «Para o João Miranda e para outros liberais da blogosfera, a expressão «liberalismo» envolve sempre (ou melhor: exclui sempre) a intervenção do estado. Muito bem. Mas eu estou muito mais interessado no liberalismo social. Só depois vem o liberalismo como ausência de estado. A liberdade e a tolerância precedem as políticas legislativas.» E, naturalmente, subscrevo Fernando Pessoa.

Recordo a discussão intensa que se deu na blogosfera sobre a questão do(s) «liberalismo(s)» e o meu comentário consequente.

18 Comments:

  • ja linkei. O Mexia e um verdadeiro liberal. Para o Miranda e o AAA o liberalismo e uma ideologia que so olha para o Estado, esquecendo-se que um dos principais valores do liberalismo ( se nao mesmo o principal) e a Tolerancia. Efim, particularidades do Liberalismo a Portuguesa

    By Blogger Joao Galamba, at 7:40 da tarde  

  • Não digas isso que ele passa-se! Ele detesta rótulos, e em última análise, ele define-se como conservador, creio. Mas liberal também, claro. Estava só a meter-me contigo :)

    By Blogger Tiago Mendes, at 7:43 da tarde  

  • Mas as liberdade e tolerância são apenas bandeiras do liberalismo social?

    Eu não me revejo no liberalismo social, mas concordo em absoluto com a liberdade e tolerância que devem existir numa sociedade. Será que ando ideologicamente enganado?

    By Blogger Bruno Gonçalves, at 11:20 da tarde  

  • Não resisti ao seu apelo e fiz um post a partir do meu comentário no Metablog. Obrigado.

    By Blogger Bernardo, at 11:41 da tarde  

  • Caro Bruno: acho que isso é preconceito ou receio. liberalismo social não é o mesmo que liberalismo de esquerda ("liberal social"). È apenas a "dimensão" da coisa. SObretudo económica e não social.

    Bernardo: à vontade, claro.

    Abraço a todos.

    By Blogger Tiago Mendes, at 11:45 da tarde  

  • Tiago,

    Creio que essa é uma visão muito redutora do liberalismo clássico, mas respeito a tua opinião.

    Abraço

    By Blogger Bruno Gonçalves, at 12:06 da manhã  

  • Caro Bruno,

    Repara que eu não disse que a descrição deste post sobre "liberalismo social" era o "liberalismo clássico". Isso a mim até me importa pouco. Não ligo muito a rótulos, excepto na medida em que facilitam e simplificam a comunicação. O que eu disse foi que a referência de Mexia ao "liberalismo social" pretendia apenas focar a dimensão "social" do liberalismo, antes da dimensão "económica". Este "social" quer dizer "na esfera social", e não com qualquer conotação de esquerda ou de direita, ou redistributiva, ou o que quer que seja.

    E não pretendi sequer que o liberalimso clássico incluisse uma componente destas, nem muito menos que ela fosse exaustiva. Apenas que eu também dou prevalência a este liberalismo, que acho que vem ANTES sequer de pensarmos o papel do Estado.

    Abraço,

    By Blogger Tiago Mendes, at 8:31 da manhã  

  • Só para corrigir o penúltimo comentário meu, que devia ler:

    "Liberalismo social não é o mesmo que liberalismo de esquerda ("liberal social"). O "social" refere-se apenas à "dimensão" ou "natureza" da coisa. Que enfatizaria o social ANTES do económico".

    Reitero que isto - tal como eu o (re)formulei - não tem (necessariamente) que ver com o liberalismo clássico. É apenas "prioritizar" uma esfera em relação à outra.

    By Blogger Tiago Mendes, at 9:31 da manhã  

  • as palavras esquerda e direita são redutoras, nao dão espaço de manobra. um liberal aproveita o "melhor" dos dois mundos? Será ambidestro?

    By Blogger jmnk, at 10:22 da manhã  

  • As noções de esquerda e direita estão algo "ultrapassadas", em certo sentido. Há liberais de esquerda e de direita. Não diria que são o melhor dos dois mundos apenas por ser´possível ser liberal à esquerda ou à direita.

    Diria que é o melhor dos mundos apenas por aquilo que é - o ser "liberal", independentemente do posicionamento quanto à menor ou maior intervenção do estado na esfera económica (é isso o que diferencia pricnipalmente a esquerda da direita).

    Lembro que em Portugal, infezlimente, os liberais de esquerda se contam pelos dedos. Não há esquerda liberal "organizada" em Portugal, mas apenas esquerda socialista, o que é oposto a liberal.

    Infelizmente, também à direita o liberalismo teima em andar de braço dado com algum conservadorismo, sobretudo no que concerne aos costumes. Não há grande hipótese de escolha para um liberal de direita moderada se "encaixar". O que não tem grande mal. É apenas uma constatação.

    Abraço,

    PS: e acho que seres ambidextro é óptimo, caro :)

    By Blogger Tiago Mendes, at 10:28 da manhã  

  • No fundo o que o Pedro Mexia defende é que se os indivíduos forem conservadores, o estado deve fazê-los socialmente liberais à força. Essa é a única forma de garantir que uma sociedade composta de indivíduos conservadores se torne socialmente liberal.

    Do ponto de vista do liberalismo clássico, os individuos têm o direito a ser conservadores e a contribuir com as suas acções dentro da sua esfera de liberdade para a formação de uma sociedade conservadora. Os defensores do liberalismo à Mexia pelos vistos acham que os indivíduos não têm esse direito.

    By Blogger JoaoMiranda, at 1:40 da tarde  

  • Caro JM:

    Alterei a "enfase" no texto: julgo que compreendera melhor porque e' que o seu comentario nao faz grande sentido. Tem que interpretar o "liberalismo SOCIAL" dentro do contexto, que de resto o JM conhece bem.

    Conto publicar um post logo 'a noite sobre esta questao.

    By Blogger Tiago Mendes, at 3:09 da tarde  

  • Um liberal pode perfeitamente ser socialmente (religiosamente, etc) conservador, embora algumas formas de conservadorismo (poucas) sejam incompativeis com o liberalismo.

    Todos os liberais podem ser conservadores embora nem todos os conservadores possam ser liberais.

    Creio tambem que todos os liberais deveriam ser conservadores mas isso e' outra discussao e uma na qual muitos liberais cuja posicao valorizo discordam fortemente de mim pelo que nao elaborar mais este argumento aqui.

    By Blogger André Azevedo Alves, at 3:15 da tarde  

  • "Ele detesta rótulos, e em última análise, ele define-se como conservador, creio. Mas liberal também, claro."

    Pessoalmente, se for preciso usar rotulos, prefiro liberal conservador. Nalguns contextos aceito ser definido como conservador e noutros como liberal dependendo do que os meus interlocutores entenderem por estas designacoes (ah, as armadilhas da linguagem).

    Alternativamente, na linha do meu estimado Erik von Kuehnelt-Leddihn podem usar a designacao "ultra-liberal de extrema direita". :)

    By Blogger André Azevedo Alves, at 3:19 da tarde  

  • Obrgiado pelos comments, Andre. Discordamos nalgumas coisas, mas e' sempre bom relembrar o que disseste. Nao duvido um segundo que sejas um "liberal conservador", mas como gosto de rotulos (a existirem...) o mais exactos possiveis, o "ultra-liberal de extrema direita" parece-me excelente. Isto, claro, porque tu o permitiste... quem seria eu para rotular in-soberanmente alguem :)

    By Blogger Tiago Mendes, at 3:23 da tarde  

  • Tiago,

    É por saber o que o Pedro Mexia quer dizer que fiz o comentário.

    By Blogger JoaoMiranda, at 6:14 da tarde  

  • Caro JM,

    Aquilo que reitero e' que NAO e' isso que esta' implicado no contexto da citacao, e o BOLD que eu escolhi reitera isso. PM diz " A liberdade e a tolerância precedem as políticas legislativas"

    Independentemente de ele ser adepto ou nao do "liberalismo social" enquanto corrente politica (duvido que ele seja, uma vez que se assume como conservador), o que ele aqui diz e' que a DIMENSAO social do liberaslimo (entendido de forma ampla) deve PRECEDER a dimensao economica.

    E' isso que eu subscrevo. Aquilo que transcrevi, mas 'a luz do CONTEXTO em que e' referido, e nao o "liberalsimo social" nem muito menos (necessariamente) outras opinioes que PM possa ter.

    By Blogger Tiago Mendes, at 6:38 da tarde  

  • Eu, como não sou liberal nem conservador, não consigo perceber a lógica de ser liberal e conservador ao mesmo tempo. A mim parece-me que, das duas uma: ou a “sociedade” não tem nada a ver com o que os indivíduos fazem na sua vida pessoal, e, nesse caso, não vejo porque há de ser moralmente reprovável alguém ir contra os hábitos “tradicionais”; ou tem, e nesse caso, não vejo porque não se há de proibir comportamentos “não-tradicionais”.

    Isto, claro, se eu estiver a perceber bem o que é um “liberal conservador” (penso que seja alguém que acha que é moralmente reprovável alguém comportar-se de forma diferente do “usual”, mas que acha que o Estado não deve fazer nada contra isso)

    By Anonymous Miguel Madeira, at 8:07 da tarde  

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